Dr. Rafael Giannasi Pediatria · São Paulo
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Doenças preveníveis

Sarampo: por que voltou a preocupar em São Paulo

O sarampo não é uma doença de tempos antigos nem um sarampo comum de infância. É a infecção mais contagiosa que conhecemos, e voltou a circular na cidade.

Sarampo · o essencial

  • Uma pessoa doente transmite para cerca de 90% dos não imunes ao redor.
  • A vacina tríplice viral é gratuita e a única proteção eficaz.
  • Durante surto, bebês de 6 a 11 meses recebem uma dose extra, chamada dose zero.
  • Diante de suspeita, ligue antes de ir ao pronto-socorro.

O que está acontecendo

São Paulo concentra a maior parte dos casos confirmados no país em 2026, com transmissão acontecendo dentro da própria capital — ou seja, não são apenas casos importados de viagem. O Ministério da Saúde classificou a situação como surto.

A razão é conhecida: a cobertura vacinal caiu. A primeira dose da tríplice viral está em torno de 77% no estado e a segunda perto de 65%, quando a meta é 95%. Abaixo desse patamar, o vírus encontra pessoas suscetíveis suficientes para se manter circulando.

Por que o sarampo é diferente das outras viroses

O sarampo se transmite pelo ar e permanece suspenso no ambiente depois que a pessoa doente saiu dele. Uma pessoa infectada transmite para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. Nenhuma outra doença respiratória comum chega perto disso.

Além da alta transmissão, ele tem complicações reais: pneumonia, otite, diarreia com desidratação e, mais raramente, encefalite. Bebês com menos de 1 ano e crianças desnutridas ou imunossuprimidas são os que correm maior risco. Não existe antiviral — o tratamento é de suporte, com atenção especial à hidratação e à reposição de vitamina A quando indicada.

Como reconhecer

O quadro começa parecendo uma virose forte e só depois mostra a cara. Costuma seguir esta sequência:

A pessoa transmite desde cerca de seis dias antes das manchas aparecerem até quatro dias depois — o que explica por que a doença se espalha antes de qualquer um desconfiar.

Se você suspeitar de sarampo

Ligue antes de ir. Chegar sem aviso a uma sala de espera com um caso de sarampo expõe dezenas de pessoas, incluindo bebês que ainda não podem ser vacinados. Telefone ao consultório ou ao serviço de saúde, descreva os sintomas e siga a orientação de como e por onde entrar.

Procure avaliação no mesmo dia se houver febre com manchas na pele associada a:

  • Contato conhecido com caso de sarampo, ou viagem recente.
  • Idade abaixo de 1 ano.
  • Dificuldade para respirar, prostração ou recusa de líquidos.
  • Convulsão, sonolência excessiva ou confusão.

Sarampo é doença de notificação compulsória. O diagnóstico confirmado aciona a busca de contatos e a vacinação de bloqueio ao redor — por isso avisar faz diferença além do paciente.

A vacina

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é gratuita nas unidades básicas de saúde e faz parte do calendário de rotina: primeira dose aos 12 meses e a segunda, na forma de tetraviral, aos 15 meses. Duas doses conferem proteção próxima de 97%.

A dose zero

Em situação de circulação do vírus, recomenda-se uma dose adicional para bebês de 6 a 11 meses, chamada dose zero. Ela antecipa alguma proteção para a faixa mais vulnerável — mas não substitui as doses de 12 e 15 meses, que continuam necessárias.

Campanha ampliada

Diante do surto, foi recomendada vacinação ampliada em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, para quem mora ou trabalha nesses municípios, dos 6 meses aos 59 anos, inclusive para quem já tomou as duas doses e sem necessidade de comprovar o histórico. Como as datas e os municípios incluídos mudam conforme a evolução dos casos, confirme a campanha vigente na unidade de saúde ou comigo na consulta.

Quem não deve tomar

A tríplice viral é uma vacina de vírus vivo atenuado. Não é indicada para gestantes nem para pessoas com imunossupressão importante. Nesses casos, a proteção vem de quem está ao redor estar vacinado — o que também vale para o bebê pequeno demais para receber a dose.

Sobre a caderneta

Vale conferir a de todos da casa, não só a das crianças. Vários dos casos deste ano ocorreram em adultos entre 20 e 50 anos. Adultos nascidos a partir de 1960 que não tenham duas doses registradas devem completar o esquema; quem não encontra o registro é considerado não vacinado, e tomar de novo não traz risco.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Diante de dúvida ou de qualquer sinal de alerta descrito acima, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.

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