Dr. Rafael Giannasi Pediatria · São Paulo
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Vias respiratórias

Bronquiolite: o chiado do primeiro ano

Começa como um resfriado comum e, por volta do terceiro dia, o bebê passa a chiar. É a infecção respiratória mais frequente do primeiro ano de vida — e a que mais gera idas ao pronto-socorro.

Bronquiolite · o essencial

  • É causada por vírus. Antibiótico não trata bronquiolite.
  • A piora costuma acontecer entre o terceiro e o quinto dia.
  • O tratamento é suporte: soro no nariz, líquidos e mamadas fracionadas.
  • O que se observa é o esforço para respirar, não o barulho do peito.

O que é

Bronquiolite é uma infecção viral que inflama os bronquíolos, as vias aéreas mais finas do pulmão. Atinge principalmente bebês com menos de 2 anos, e o vírus sincicial respiratório é o causador mais comum. A inflamação produz secreção e estreitamento dessas vias, o que gera o chiado característico.

Como costuma evoluir

Nos primeiros dias parece um resfriado: coriza, espirros, tosse e às vezes febre baixa. Entre o terceiro e o quinto dia, a tosse se intensifica, aparece o chiado e a respiração fica mais trabalhosa. Esse é o período em que se deve observar de perto.

A partir daí, a melhora costuma ser gradual. A tosse pode persistir por duas a três semanas mesmo com o bebê já bem — isso é esperado e não significa que a doença voltou.

O que ajuda em casa

O que não funciona

Antibióticos não agem sobre vírus. Broncodilatadores e corticoides não são indicados de rotina na bronquiolite, ao contrário do que acontece na asma. Xaropes para tosse não devem ser usados em bebês. Nebulização com soro em casa, sem indicação, não muda a evolução.

Quando procurar atendimento

Procure avaliação imediatamente se o bebê apresentar:

  • Afundamento entre as costelas, abaixo delas ou na base do pescoço ao respirar.
  • Batimento das asas do nariz ou gemido a cada expiração.
  • Respiração muito rápida, ou pausas na respiração.
  • Lábios, língua ou extremidades arroxeados.
  • Recusa de mamar, ou aceitação de menos da metade do habitual.
  • Sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou moleza.
  • Menos fraldas molhadas que o habitual, ou nenhuma por 8 horas.
  • Menos de 3 meses de idade, prematuridade ou doença cardíaca ou pulmonar prévia — nesses casos, o limiar para avaliar é mais baixo.

Uma observação prática: conte a respiração com o bebê calmo, sem chorar, durante um minuto inteiro. É mais confiável do que estimar.

Prevenção

Existem imunizações específicas contra o vírus sincicial respiratório, com indicações que variam conforme a idade, a época do ano e os fatores de risco do bebê. Vale conversarmos sobre isso na consulta, antes da temporada de maior circulação.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Diante de dúvida ou de qualquer sinal de alerta descrito acima, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.

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