Bronquiolite · o essencial
- É causada por vírus. Antibiótico não trata bronquiolite.
- A piora costuma acontecer entre o terceiro e o quinto dia.
- O tratamento é suporte: soro no nariz, líquidos e mamadas fracionadas.
- O que se observa é o esforço para respirar, não o barulho do peito.
O que é
Bronquiolite é uma infecção viral que inflama os bronquíolos, as vias aéreas mais finas do pulmão. Atinge principalmente bebês com menos de 2 anos, e o vírus sincicial respiratório é o causador mais comum. A inflamação produz secreção e estreitamento dessas vias, o que gera o chiado característico.
Como costuma evoluir
Nos primeiros dias parece um resfriado: coriza, espirros, tosse e às vezes febre baixa. Entre o terceiro e o quinto dia, a tosse se intensifica, aparece o chiado e a respiração fica mais trabalhosa. Esse é o período em que se deve observar de perto.
A partir daí, a melhora costuma ser gradual. A tosse pode persistir por duas a três semanas mesmo com o bebê já bem — isso é esperado e não significa que a doença voltou.
O que ajuda em casa
- Soro fisiológico no nariz, com generosidade e várias vezes ao dia. Bebê respira pelo nariz; desobstruí-lo melhora tanto a respiração quanto a mamada.
- Aspiração nasal antes das mamadas e antes de dormir.
- Mamadas menores e mais frequentes. O bebê cansa ao mamar, e volumes menores são mais fáceis de sustentar.
- Ambiente sem fumaça de cigarro — inclusive a que fica na roupa de quem fumou fora de casa.
- Manter a cabeceira do berço levemente elevada, sem travesseiros ou almofadas soltas.
O que não funciona
Antibióticos não agem sobre vírus. Broncodilatadores e corticoides não são indicados de rotina na bronquiolite, ao contrário do que acontece na asma. Xaropes para tosse não devem ser usados em bebês. Nebulização com soro em casa, sem indicação, não muda a evolução.
Quando procurar atendimento
Procure avaliação imediatamente se o bebê apresentar:
- Afundamento entre as costelas, abaixo delas ou na base do pescoço ao respirar.
- Batimento das asas do nariz ou gemido a cada expiração.
- Respiração muito rápida, ou pausas na respiração.
- Lábios, língua ou extremidades arroxeados.
- Recusa de mamar, ou aceitação de menos da metade do habitual.
- Sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou moleza.
- Menos fraldas molhadas que o habitual, ou nenhuma por 8 horas.
- Menos de 3 meses de idade, prematuridade ou doença cardíaca ou pulmonar prévia — nesses casos, o limiar para avaliar é mais baixo.
Uma observação prática: conte a respiração com o bebê calmo, sem chorar, durante um minuto inteiro. É mais confiável do que estimar.
Prevenção
- Lavar as mãos antes de pegar o bebê — vale para visitas também.
- Evitar aglomerações e contato com pessoas resfriadas nos primeiros meses.
- Manter o aleitamento materno, que reduz a gravidade dos quadros.
- Nenhuma exposição a fumo dentro de casa ou no carro.
Existem imunizações específicas contra o vírus sincicial respiratório, com indicações que variam conforme a idade, a época do ano e os fatores de risco do bebê. Vale conversarmos sobre isso na consulta, antes da temporada de maior circulação.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Diante de dúvida ou de qualquer sinal de alerta descrito acima, procure atendimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.